Um dos grandes paradoxos dos novos tempos é que nunca tantos jovens desejam e necessitam aprender e, ao mesmo tempo, há cada vez menos quem deseja ensinar.

 

Poder-se-ia dizer que os professores ainda não descobriram que existem alunos

 

Como ficar insensível ao contraste entre os clamores de todas as partes em favor da educação permanente e das formações de todos os tipos e o desprezo pelos trabalhos do ensino daqueles que supostamente devem assegurar essas formações?

 

É chocante ver docentes considerarem a função de ensinar medíocre, entediante e desprovida de interesse.

 

Nunca em toda a história da universidade foram titulados tantos Mestres e Doutores e em contrapartida nunca a educação brasileira esteve tão próxima de ser uma tragédia nacional devido aos seus piores índices de desempenho.

 

Ninguém mais se interessa pela função primordial que consiste em transmitir serenamente os conhecimentos.

 

Nem mesmo como ganha-pão, devido aos salários ridículos, nem mesmo como falso prestígio a função docente exerce atrativos.

 

Do desprezo pelo ensino ao desprezo pelo professor a distância é curta.

 

Ensinar na educação básica é uma atividade sem qualquer prestígio mesmo quando o professor é competente e culto.

 

E de fato a sociedade valoriza as pessoas em função do seu prestígio.

 

No passado os professores tinham origem nas classes sociais mais elevadas. As normalistas tinham berço e cultura e faziam parte dos anos dourados da educação brasileira. Atualmente o professor sequer é respeitado pelos alunos, as Licenciaturas são de má qualidade e os salários aviltantes.

 

Neste contexto surge a Pedagogia geral da instrução como um mito que a considera mais importante em todos os sentidos e até mesmo do que o conteúdo da instrução. São professores que aprenderam os aspectos teóricos da maneira de instruir e não a maneira mais fácil de ensinar no que se denominou a Pedagogia das facilidades. No limite, o pedagogo, em estado puro, absoluto e perfeito seria aquele que nada sabe mas é imbatível na arte de ensinar.

 

Não basta conhecer as difíceis distinções entre a arte que transforma e a medida que descreve, entre a situação interpessoal que deve ser vivida em sua unicidade e a atitude rigorosamente impessoal que permite constatações comunicáveis para ensinar física por exemplo.

 

A Pedagogia é importante em si mesma, como disciplina teórica e autônoma. Porém não se pode perder de vista o caráter relativo de toda Pedagogia. Acreditar que os estudantes são iguais, que aprendem da mesma forma, é preciosismo falso e inadequado.

 

Os alunos inteligentes e motivados estudam e aprendem bem com qualquer professor ou método.

 

Mas os outros precisam de mais atenção. Tudo tem relação com a educação e os alunos sabem que nem todos os professores correspondem ao modelo ideal que tinham concebido para os seus mestres.

 

A maioria dos professores acreditava não serem capazes de fazer outra coisa e assim buscaram ensinar sem saber que era preciso muito conhecimento para poder transmiti-lo.

 

É verdade que a função docente não é fácil e são muitas as dificuldades a serem  superadas até a entrada na sala de aula.

 

Transporte, peça importante da mobilidade urbana, quase sempre toma pelo menos uma hora antes e outra depois no trajeto do professor e em condições freqüentemente desagradáveis. Corrigir e preparar provas ocupará outro período pelo menos igual. O espírito de economia dos poderes públicos e as normas de serviços certamente não vão ajudar muito.

 

Finalmente podem ser descritas algumas dessas dificuldades que, se superadas, tornariam o exercício da função docente bem melhor. Por exemplo: - Ausência de um coeficiente de eficiência relacionado com remuneração, subsídios e qualidade de desempenho.

 

- As más condições de trabalho com efeitos desfavoráveis. - A ausência de satisfações pedagógicas de um ensino de massa tornando as relações professor/aluno algo impessoal. - Ausência de tempo livre para trabalhos não aparentes.

 

 

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