O Brasil, finalmente, começa a perceber a importância de promover reformas profundas em todos os níveis da educação básica de forma a assegurar a formação dos jovens para a prática da cidadania e para o enfrentamento dos enormes desafios trazidos pelo mundo do trabalho, sempre em constante mudança, das quais se destacam o avanço crescente da ciência e da técnica, as novas formas de organização das empresas e o continuo processo de transformação das profissões.

            Muitas delas estão desaparecendo, dando lugar a outras, criando mais um desafio para nossas escolas: formar jovens para profissões que ainda não existem e aptos a encontrar soluções para problemas que sequer foram identificados. É claro que a nossa tarefa é gigantesca, pois, além da construção de novas estruturas curriculares que levem em consideração a transversalidade das disciplinas, que se interceptam na explicação dos fenômenos naturais e na interpretação das transformações sociais, devemos também nos preocupar com a modernização do processo pedagógico e com a introdução das novas tecnologias da informação e da comunicação.

             Os novos tempos vêm alterando profundamente a missão do professor na sala de aula, que agora deve estar habilitado a preparar os estudantes para o trabalho em equipe, para a identificação de problemas e para a sua solução. Devem, ao mesmo tempo, funcionar como orientadores de seus estudantes na medida em que boa parte das informações e conhecimentos já se encontra disponível nas redes de informação.

            Dessa forma, alguns pontos passaram a merecer mais atenção na escola. O primeiro deles é a elaboração de conteúdos adequados e a preparação dos alunos para o uso das novas tecnologias da informação, cada vez mais utilizadas. Outro é o da construção das bases curriculares comuns, esforço enorme que teremos que realizar, uma vez que a diversidade, quer regional, quer social, em nosso país é muito grande.         Poucas de nossas escolas apresentam a infraestrutura necessária, tanto na oferta de salas de aula adequadas, quanto de bibliotecas e laboratórios capazes de oferecer o apoio laboratorial esperado.

            A formação de professores deve ser também uma preocupação, uma vez que a carreira docente pelos seus baixos salários, pela ausência de mecanismos de estímulo à educação continuada e pelas dificuldades em formar profissionais para o ensino de certas disciplinas, como a Física, a Química e a Geografia, tem gerado enormes dificuldades, obrigando muitas vezes a improvisação de quadros docentes, sem a devida preparação para o seu ensino.

            Nesse contexto, a Associação Brasileira de Educação, a ABE, vem procurando oferecer aos membros da comunidade acadêmica os instrumentos para que contribuam na busca de soluções para todos os problemas mencionados e muitos outros mais que afligem professores e gestores das nossas escolas. Ao longo de 2016 estaremos realizando diversos seminários e debates, sempre com o intuito de apoiar a construção de uma nova educação brasileira, determinante para a consolidação do nosso crescimento sustentável.